'Terrorista', 'Aniquilar para o inferno': EUA e Irã trocam acusações no púlpito da ONU, mas negociam fim da guerra nos bastidores

  • 23/09/2026
(Foto: Reprodução)
Na ONU, presidente do Irã chama EUA e Israel de terroristas Os Estados Unidos e Irã retomaram nesta semana contatos diplomáticos para tentar encerrar a guerra no Oriente Médio, após três meses de interrupção nas negociações. As conversas ocorreram por meio de mediadores à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, enquanto o presidente americano, Donald Trump, e autoridades iranianas trocaram acusações e ameaças durante os discursos no plenário. Segundo Trump, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner participaram de uma reunião de cerca de três horas com mediadores iranianos. O presidente classificou a conversa como "muito produtiva" e disse esperar um novo diálogo "em um futuro muito próximo". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Eles vêm sendo mediados há algum tempo, mas acho que há um grande impulso para que cheguem a um acordo", afirmou. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que Teerã manteve negociações por meio de um mediador do Catar. Segundo ele, o Irã apresentou condições para o fim da guerra, entre elas o encerramento dos confrontos em todas as frentes e a suspensão dos "atos de agressão" dos Estados Unidos. Briga às claras Apesar dos sinais de distensão, os discursos de Trump e do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, chamaram atenção pelas trocas de acusações e ameaças agressivas. Em sua fala na terça, o americano afirmou que poderia “aniquilar o Irã” e mandar toda a nação persa para o inferno caso o conflito persistisse. Trump acusou os iranianos de matar mulheres e crianças e tentar produzir armamentos nucleares à revelia das normas internacionais. “Não há exemplo melhor de um perigo que teve permissão para ganhar força, colocando o mundo em risco, do que o principal patrocinador do terrorismo, a República Islâmica do Irã", afirmou o republicano. O americano também disse que o governo iraniano matou mais de 72 mil cidadãos no ano e afirmou que 10 mil pessoas foram mortas recentemente por protestarem. Segundo ele, mesmo depois de um cessar-fogo estabelecido para discussões nucleares, o Irã teria cometido “atos de terrorismo” contra navios civis de outros países. “Durante 51 anos, o regime iraniano fanático governou por meio de derramamento de sangue e assassinatos em massa, espalhando morte, carnificina e caos por todo o Oriente Médio e além”, disse. As ofensas não saíram baratas. Em seu discurso, Pezeshkian, que disse ter mudado a sua fala após o discurso de Trump, se defendeu das acusações de terrorismo feitas e acusou os EUA e Israel de serem "os verdadeiros" Estados terroristas e de alvejarem civis. O presidente iraniano afirmou ainda que nunca haverá paz no Oriente Médio "sem justiça para a Palestina", disse que "questões nucleares não serão resolvidas no campo de batalha" e garantiu que Teerã não vê seus vizinhos do Golfo Pérsico, alvos constantes de ataques iranianos, como rivais "Eles (EUA e Israel) nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais. Eles nos atingiram e nós reagimos, mas nós nunca alvejamos civis. Os EUA violaram leis internacionais. Israel alveja qualquer vizinho e comete assassinatos em Gaza, onde 85 mil civis foram brutalmente assassinados", disse. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump Reprodução: Reuters Reabertura diplomática Autoridades iranianas disseram à Reuters que não houve um encontro presencial entre Witkoff e o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, apesar de relatos iniciais de veículos estatais do Irã. Araqchi se reuniu com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que participa das negociações como mediador. Segundo a agência estatal iraniana Irib, Teerã também apresentou exigências relacionadas ao Estreito de Ormuz. Entre elas estão a suspensão imediata do bloqueio naval americano aos portos iranianos, o pagamento de ativos iranianos congelados e o fim da guerra em todas as frentes de resistência. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que o Irã poderia reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias caso os Estados Unidos reduzam a pressão militar e suspendam o bloqueio aos portos do país. Segundo a fonte, a delegação iraniana em Nova York tem autorização para retomar as relações diplomáticas com Washington. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também afirmou estar aberto a uma reunião com representantes iranianos durante a Assembleia Geral, embora tenha dito que não havia nenhum encontro marcado naquele momento. "Estamos abertos a isso", afirmou à emissora NBC. Segundo Rubio, qualquer negociação precisa garantir que o Irã "jamais poderá ter uma arma nuclear". A retomada do contato ocorreu depois de meses de interrupção nas negociações. Um acordo provisório de cessar-fogo havia fracassado em julho, e desde então Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques. A guerra, iniciada em fevereiro por uma ofensiva americana e israelense, já dura quase sete meses e provocou milhares de mortes, além de afetar o abastecimento global de energia e se espalhar para outros países da região. Enquanto as tratativas eram retomadas nos bastidores, Trump adotou um tom duro em seu discurso na Assembleia Geral. O presidente afirmou que precisava decidir entre chegar a um acordo com o Irã ou "aniquilar" o país. Em outro momento, disse que Washington teria de escolher entre levar o Irã "ao inferno" ou chegar a um acordo. Trump também afirmou que acredita que uma solução diplomática será encontrada após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro. O presidente já havia dito que a guerra poderia terminar por volta das eleições, sem explicar o motivo. Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou, antes de viajar para Nova York, que esperava que a Assembleia Geral discutisse os "comportamentos injustos" na região e trabalhasse para acabar com a guerra e o derramamento de sangue. Ele também acusou os responsáveis por ataques contra cidades iranianas de agir com "selvageria". Apesar da reabertura do canal diplomático, Teerã mantém a ameaça de responder militarmente a novos ataques. No último domingo (20), o comando militar iraniano afirmou que qualquer nova ofensiva dos Estados Unidos contra o território do país provocaria uma retaliação "sem qualquer limitação" contra bases e interesses americanos no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a delegação iraniana apresentou uma nova proposta para tentar encerrar as hostilidades.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/09/23/terrorista-aniquilar-para-o-inferno-eua-e-ira-trocam-acusacoes-no-pulpito-da-onu-mas-negociam-fim-da-guerra-nos-bastidores.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes